quarta-feira, 14 de outubro de 2015

CONTOS COM QUEBRA DE EXPECTATIVA

A Branquinha

João Vitor de Carvalho Oliveira

Finalmente o dia tão importante aconteceu.
Era domingo, dia alegre e agitado. Diferentemente de todos os outros, acabei acordando muito cedo. Afinal, não é sempre que isto acontece. Era a minha segunda vez, porém ainda me encontrava bastante ansioso.
Levantei, preparei o café, procurei pelo nosso local de encontro, e comecei a pensar qual seria o melhor horário para nos encontrarmos. Em poucos instantes tomei a decisão, seria logo após o almoço.
As horas demoravam a passar, parecia que o tempo estava retrocedendo, mas logo chegara a hora prevista.
Tomei banho. Comecei a me arrumar vestindo as melhores roupas, porém o principal ainda faltava. Peguei o cartão de informações que indicava qual a zona e guardei-o no bolso.
Segui ao local marcado, parecia uma grande festa, de longe parecia haver um tapete branco no chão, as pessoas estavam em êxtase e o assédio era iminente. Enfim cheguei, providenciei tudo que seria necessário, e fui ao seu encontro... Idealizava a ocasião até que, a visualizei, branquinha, exatamente como eu a imaginava. Momento esplêndido!
Tão quieta, porém tinha seus segundos de agitação... Chegava a tremer, seus ruídos eram particulares. Passava-me uma segurança invejável.
Tudo corria muito bem, até que ocorreu algo estranho. Eu devo ter feito algo errado, pois ela me apresentou a foto de um homem desconhecido. Na tela decidi que o contratempo precisava ser resolvido, visto que eu sabia do pouco tempo disponível, ela tinha um horário e eu precisava ser rápido.
Resolvi. O tão esperado som que aguardava, escutei. A prenunciada urna de votação alertava sobre minha definição. Tinha a certeza que tinha feito o melhor. Voto computado com sucesso.


LINK: http://radaramazonense.blogspot.com.br/2014/08/a-forca-do-voto-feminino-mulher-decide.html

Fina Arte

Flávia Santos Pereira


- Mãe conta mais sobre ele.
- Minha filha, o que quer saber?
- Como a senhora se apaixonou? Conte-me tudo!
- Bom, ele esteve sempre ali, um verdadeiro companheiro, sem falar da sua elegância suave, era perfeito.
  Lembro de ser forte, o cheiro de seu perfume amadeirado, sua cor escura e detalhes levemente chamativos, além de ser exuberante, era muito encantador.
   Experimentamos as técnicas mais insanas e impossíveis juntos. Não vivíamos um sem o outro. Descobrimos ritmo, harmonia, velocidade e uma sensação inexplicável. Invadiu os nossos corpos, não existia tristeza, nem frustração, era só aquilo: o contato.
   Me ensinou um pouco de tudo. Aprendi a ser boa com os dedos e as mãos, a qual podemos fazer coisas maravilhosas. Não precisei de nenhum tipo de preliminar antes de tocá-lo. Soávamos intensamente.
   Em instantes acelerava o coração, porém sabia que aquela duração seria limitada... Em segundos acontecia aquela explosão que só a alma entendia. Os espasmos do prazer pareciam ser mágicos, se manifestando rapidamente, me deixando extasiada, era a intensidade de um clímax.
  O bom de tudo e a maior das sensações,  é que sempre acontecia em público.  Agora sei que é o prazer físico e emocional mais intenso que pude experimentar.

 A alegria de ser pianista sempre foi um sonho.


LIMK: http://pt.depositphotos.com/38786923/stock-photo-man-with-piano.html